DIGITAL RADIO MONDIALE (DRM)

 

    Durante mais de 80 anos, tanto ouvintes como estações de radiodifusão reclamaram da qualidade das emissões em Amplitude Modulada (AM). As principais razões de queixa prendiam-se com a qualidade do áudio, que era muito limitada, e com o ruído estático - uma interferência que pode ser causada por maquinaria eléctrica próxima, por trovoadas longínquas ou pela actividade solar.

    A AM tem, no entanto, várias vantagens: as emissões podem ser distribuídas por três bandas de frequência – Ondas Longas, Médias e Curtas – e não são necessários emissores muito potentes para cobrir grandes distâncias, pois as emissões em AM reflectem-se numa região atmosférica electrificada chamada ionosfera. Esta região, entre 100 e 400 km acima da Terra, actua como um vasto “espelho” e reflecte as ondas emitidas de volta para a Terra. A superfície curva da Terra reflecte também ondas de rádio; devido a isto, os sinais podem propagar-se entre a superfície e a ionosfera ao longo de milhares de quilómetros.         

    A Frequência Modulada (FM) veio alterar a recepção da rádio e a qualidade sonora, já que a FM é cerca de 30 vezes menos sensível ao ruído estático que a AM. No entanto, a grande desvantagem da FM é o seu curto alcance. Um emissor – mesmo com uma potência de 10 000 watts – não será recepcionado muito além de 300 kms, a partir da antena e em linha recta, e dependerá dos acidentes geográficos, pois as ondas electromagnéticas operadas em Very High frequency não se reflectem nem no solo nem na ionosfera (são consideradas VHF as frequências entre os 30 MHz e os 300 MHz. As emissões de radiodifusão em Frequência Modulada são efectuadas entre os 87.50 MHz e os 108.00 MHz).

    O Digital Radio Mondiale (DRM) – também designado AM Digital - veio aliar a qualidade áudio da Frequência Modulada à facilidade de propagação das emissões em Amplitude Modulada. O DRM opera em frequências abaixo dos 30 MHz – as mesmas da AM - e a qualidade sonora é idêntica à obtida em Frequência Modulada (aproximadamente entre os 30 Hz e os 15 000 Hz).

    O DRM pode operar com três codificações de áudio, dependendo da preferência das estações emissoras: Mpeg4 AAC, máxima qualidade sonora (para emissoras com programas musicais); Mpeg4 CELP, com menor qualidade de som (Para rádios de notícias, desporto, etc.); e HVXC, baixa qualidade para transmissões de voz pouco exigentes. Claro que a escolha das codificações áudio dependerá do número de serviços que o operador de radiodifusão quiser ter em simultâneo, pois o sistema permite ter na mesma frequência uma emissão multilíngue e os nomes das músicas, informações de transito, etc., apresentadas no visor do receptor.

    Os operadores de radiodifusão que já trabalham em Amplitude Modulada não têm de adquirir, obrigatoriamente, novos emissores para emitir em DRM. Muitos dos emissores de AM existentes podem ser adaptados para as emissões digitais.

    A primeira emissão em DRM teve lugar em 16 de Junho de 2003, durante a Conferencia Mundial de Radiocomunicações (WRC 2003) da

União Internacional de Telecomunicações, na cidade Suíça de Genebra.   

    O DRM utiliza para a transmissão de sinal a modulação COFDM (Coded Orthogonal Frequency Division Multiplex), que permite que existam dados e áudio em mais que um idioma, em canais próprios, que permitem ao ouvinte seleccionar no receptor o que lhe interessa. Claro que quanto mais informação tiver a transmissão, menos qualidade sonora terá.

    O DRM terá aplicações que poderão ser recebidas em receptores fixos, portáteis, auto-rádios, PDAs, telemóveis, computadores, etc.

O receptor DRM Receiver 2010 já está disponível no mercado mundial

    A primeira emissão em DRM teve lugar em 16 de Junho de 2003, durante a Conferencia Mundial de Radiocomunicações (WRC 2003) da União Internacional de Telecomunicações, na cidade Suíça de Genebra.    

    Mais de 70 operadores de radiodifusão já transmitem regularmente em DRM. A estação emissora mais perto de Portugal é a Rádio Nacional de Espanha, que já transmite digitalmente, em paralelo com o analógico, desde 25 de Janeiro de 2005.   

    A RDP faz parte do "Consortium DRM" desde 2003, e em Agosto do mesmo ano, o "World DAB Forum" anunciou a sua cooperação com o "Consortium DRM".

    O Digital Radio Mondiale, no entanto, não está sozinho nas emissões radiofónicas digitais. Existem também o DAB - Digital Audio Broadcasting - sistema já em uso na Europa, Austrália, Canadá e nalguns países da Ásia; o IBOC - In Band On Channel -  o sistema americano, também conhecido como FM Digital, e o ISDB-T - Integrated Services Digital Broadcasting-Terrestrial - que é o sistema de rádio digital adoptado no Japão.

 

 

Jorge Guimarães Silva

 

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